A intervenção norte-americana na Venezuela é o toque de finados da velha ordem do pós-guerra?

A intervenção norte-americana na Venezuela é o toque de finados da velha ordem do pós-guerra?

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela não é uma intervenção inédita. Nos anos 80, os Estados Unidos fizeram intervenções semelhantes em Granada e no Panamá, neste último com argumentos semelhantes, sem que daí ocorresse grande comoção. E, tal como Noriega, também Nicolas Maduro arrisca terminar os seus dias na prisão.

As novidades, na intervenção que teve lugar neste fim-de-semana, residem em dois aspetos: a dimensão do alvo (a Venezuela não é o Panamá) e o contexto geopolítico em que a mesma teve lugar.

Esta intervenção foi provavelmente o toque de finados da ordem internacional que os Estados Unidos e os seus aliados criaram no fim da Segunda Guerra Mundial. Se a invasão russa da Ucrânia deixou claro que nada seria como antes, o ataque norte-americano a Caracas e a prisão do ditador venezuelano constituem o ato final desse processo, deixando-nos a certeza de que o mundo mudou definitivamente. Hoje é Maduro a ser preso pelas forças especiais de uma grande potência, amanhã pode ser Zelensky ou o presidente de Taiwan.

Neste novo (ou será velho?) mundo onde mandam os mais fortes, os países da União Europeia terão de decidir se querem se querem ser presas ou caçadores. Diria que, se quiserem ser fiéis aos seus valores, basta que não aceitem ser presas e tomem medidas para que haja uma efetiva capacidade de dissuasão.

Este será o primeiro post de uma secção de comentários breves sobre a atualidade internacional, intitulada Ordem & Desordem.

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